
Arrabida cultural e patrmonial:
Passear pela Serra da Arrábida deslumbra e encanta.
A visão inesperada do mar, a vegetação e as falésias fazem da serra um dos sítios mais bonitos de Portugal. Não admira que tenha inspirado poetas como Sebastião da Gama. Pérola mediterrânica no meio do Atlântico, a Serra da Arrábida é abençoada pela natureza, mas também se distingue pelo património histórico e cultural. É a esse que o nosso passeio se dedica.

A riqueza do mar:
Lugar calmo e propício à meditação, a Serra da Arrábida foi procurada por frades, poetas e... corsários. Precisamente para combater estes últimos, D. Pedro, ainda regente, mandou construir em 1670 a Fortaleza de Nossa Senhora da Arrábida, no Portinho. É neste edifício seiscentista, sobranceiro ao mar, que funciona desde 1991 o Museu Oceanográfico. Tartarugas gigantes, chernes, ouriços do mar, moreias, linguados, tremelgas e espadartes são algumas espécies que podem ser vistas no museu, conservadas em álcool ou embalsamadas. Mas há também uma vértebra de baleia, fetos de golfinhos e a incrível Asconema setubalensis, uma esponja que ninguém diria tratar-se de um animal ! Nas várias salas do museu é ainda possível conhecer algumas técnicas de pesca e observar em aquários exemplos vivos da fauna e flora marinhas da Costa da Arrábida. Todas as espécies, mesmo as mais exóticas e incríveis, foram capturadas na região.
Um Convento pouco convencional:
Os frades Franciscanos que pediram a D. Pedro que construísse a fortaleza não queriam mesmo ser incomodados. Viviam na serra inacessível, longe do mundo, no meio da natureza, para estarem mais perto de Deus, como mostra a estátua do frade à entrada do convento: o globo terrestre pisado (desprezo pelo mundo), olhos tapados e boca fechada (recusa dos sentidos). Ainda hoje é um aviso para quem visita o convento fundado em 1542, sem frades desde 1834, e actualmente propriedade da Fundação Oriente. É um aviso e uma contradição: os frades queriam estar longe do mundo mas escolheram um lugar belíssimo. Afastaram-se dos prazeres, mas deliciaram-se com o mar, as olaias, o silêncio, os alimentos saudáveis e água fresca (o convento dispõe de um sistema hidráulico sofisticado que ainda hoje fornece a água necessária aos encontros que se realizam na parte moderna). Abraçaram uma “filosofia do essencial”, mas desfrutaram das maravilhas da natureza num convento pouco convencional. Ao contrário dos outros, este, que serviu de cenário a um filme de Manoel de Oliveira, é constituído por pequenos módulos, como se fosse uma aldeia no meio da serra. Os estudantes de arquitectura terão muito a aprender com a funcionalidade da pequena aldeia dos irmãos de S. Francisco de Assis.
Bruno/ze/gui